Nota da ABRAFIGE: Assistência Fisioterapêutica à Pessoa Idosa em Tempos de COVID-19

Frente ao atual cenário da pandemia do Covid-19, a ABRAFIGE vem por meio desta nota destacar alguns pontos importantes no que se refere à assistência fisioterapêutica à pacientes idosos para nossos associados, colegas fisioterapeutas e demais segmentos da sociedade.

Os dados da epidemia da China mostram que os idosos são um grupo de risco, juntamente com aqueles que possuem doenças respiratórias, cardiovasculares, renais e fazem uso de medicamentos imunossupressores. Baseados nestes dados, os documentos publicados tem recomendado a suspensão dos atendimentos às pessoas idosas que padeçam de doenças crônicas ou comorbidades, a fim de diminuir a exposição delas ao risco de contaminação e de complicações mais graves da doença. Em vários locais houve a indicação de fechamento de ambulatórios e clínicascom muitos atendimentos sendo suspensos ou direcionados para a assistência domiciliar.

Nós da ABRAFIGE apoiamos essas recomendações a fim de proteger os idosos dessa exposição. Entretanto, também reconhecemos que muitos deles têm condições complexas em que a suspensão total da assistência fisioterapêutica pode resultar em piora clínico-funcional, complicações e até mesmo hospitalização, em especial nos idosos mais longevos e frágeis. Desta forma, é importante considerar o impacto da descontinuidade da assistência fisioterapêutica até porque, segundo as previsões, a epidemia deverá se estender por três meses ou mais, ou seja, será um período longo e de incertezas.

Mesmo que a perda da funcionalidade no contexto do envelhecimento possa ser tão grave quanto o risco iminente de complicações ou morte pela Covid-19 é preciso agir com responsabilidade e bom senso. Dessa forma, deve-se avaliar caso a caso junto à família e à equipe multiprofissional que assiste o idoso, ponderando os riscos e benefícios da continuidade da fisioterapia nesse contexto tão difícil.

Recomendamos que todos os profissionais fisioterapeutas adotem estratégias para manter estímulos físico-funcionais, em casa, para mitigar o impacto da redução dos atendimentos sobre a funcionalidade dos idosos nesse período. As estratégias podem se dar por meio de orientações para a família e cuidadores com cartilhas, prescrição de exercícios domiciliares, sugestão de rotinas, etc. Ademais, o fisioterapeuta deve manter contato com a equipe que assiste o idoso, diariamente, de forma a monitorar os sinais de alerta para situações que necessitem de sua intervenção. A continuidade do atendimento fisioterapêutico em formato domiciliar, mesmo que em menor frequência, deve ser avaliada criteriosamente, e mantida naqueles casos ditos essenciais, com risco de piora funcional ou descompensação clínica, seguindo rigorosamente o uso de EPI e as recomendações de biossegurança da OMS. O mesmo vale para idosos institucionalizados, respeitando as especificidades de cada ILPI. Fisioterapeutas que atendem em locais de maior exposição, como hospitais, devem evitar o contato com idosos em domicílio, priorizando a proteção e a segurança desse público.

Cuiabá-MT, 22 de março de 2020.

Francielle Fialkoski Molina
Diretora-Presidente ABRAFIGE

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